

Estímulo ao movimento na infância pode ser um dos caminhos mais eficazes para a saúde mental de crianças e adolescentes. É o que mostra um estudo realizado na Suécia, que acompanhou a rotina de mais de 17 mil crianças, dos 5 aos 18 anos, e encontrou uma relação direta entre a prática regular de esportes e a redução no risco de desenvolver depressão, ansiedade e até dependência química.
Segundo os pesquisadores, a participação em esportes organizados aos 11 anos esteve associada a um menor risco de desenvolver qualquer condição psiquiátrica pela primeira vez — resultado observado tanto em meninos quanto em meninas. Cada hora adicional de atividade física por dia foi ligada a uma redução de 12% no risco de diagnósticos psiquiátricos antes dos 18 anos.
O estudo, publicado no British Journal of Sports Medicine, acompanhou crianças nascidas entre 1997 e 1999 no sudeste da Suécia, com coletas de dados aos 5, 8 e 11 anos de idade. Os pesquisadores consideraram tanto o tempo ao ar livre quanto a prática de esportes em equipe, e o levantamento envolveu participantes de diferentes classes sociais, etnias e grupos minoritários.
A pesquisa reforça que os benefícios da atividade física vão além do condicionamento físico. Exercícios ajudam a reduzir a inflamação no organismo, aumentam a resiliência ao estresse e contribuem para a autoestima, fatores que também impactam diretamente nos sintomas de transtornos mentais.
Os achados estão alinhados com estudos anteriores, como uma pesquisa canadense de 2018, com 4.861 crianças de 10 e 11 anos, que mostrou maior incidência de problemas emocionais e comportamentais entre os menos ativos fisicamente.
Para o professor Pedro Hallal, da Universidade de Illinois (EUA), é essencial que pais ofereçam diferentes opções de esporte e movimento às crianças: “Nem toda criança gosta de futebol ou vôlei. Algumas preferem skate, lutas, tênis de mesa, surf. O importante é que elas tenham oportunidade de experimentar e encontrar uma atividade de que gostem”, afirmou em entrevista ao programa Bem Estar.
Ele também destaca que crianças ativas aprendem melhor e tendem a se tornar adultos ativos — o que, por sua vez, reduz o risco de obesidade, pressão alta e outros problemas de saúde. Uma dica importante, segundo Hallal, é que os pais participem junto dos filhos das atividades físicas. Esse envolvimento pode aumentar o engajamento e tornar o hábito mais prazeroso e duradouro.
Em tempos de crescente preocupação com o bem-estar emocional de crianças e adolescentes, o incentivo ao esporte se mostra não só saudável, mas essencial.